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Não é mais possível ser poeta

Olhos

a

Não é mais possível ser poeta. 

Sentimento algum rodeia minha boca.

Estou calado demais pra ser eu

E não consigo mais resistir ao meu silêncio.

Estou seduzido pelas palavras que deixei de dizer.

Hoje apanhei uma folha de papel

sem apego nos dedos,

minha mente aberta, então, viu um fim

nas palavras tão quietas em mim.

E da minha dor muda

ecoou uma paz

feita apenas de paz

sem nenhuma palavra

que lembrasse paz

uma paz sem perdão

vazia de qualquer

poesia.

 

Riscos

a

estou doente dos olhos

e há uma confusão de cores no meu retrato.

eu tenho dó da minha boca

sem cigarro, sem chocolate,

ninguém pra lambê-la

nem a saliva de alguém que me ama.

não adianta buscar agora em mim

uma resposta pra tudo.

é tarde, e eu sou isso

e fico rindo com dentes amarelos

dos meus olhos cabisbaixos e doentes.

risco um traço sem remorso

e esse é único risco que corro,

o de estar sozinho comigo.

o meu olhar febril no retrato que pinto

não suporta mais os ciscos da vida.

a carne angustiante

não suporta mais os cistos,

não suporta nem mais um triz

dessa tris-teza morta.

feito em riscos fito

meus olhos sempre abertos

meu cabelo sempre desalinhado e duro

e, visto isso, corro o risco de não ser eu

porque me pinto como sou por dentro

porque fora todo mundo

sabe que sou culto e alinhadamente belo.

arrisco-me dizer agora que não sou nem isso

nem aquilo, nem coisa alguma,

não sou!

sou o que ninguém conhece

e pareço mais traços sem definição

em um mal traçado rosto de homem.

***

Geovane Belo, Professor de Língua Portuguesa, Castanhal- Pará

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Comentários recentes

Solidão cósmica*

Cara poeta Regina
Realmente, nada mudou por aqui.
Em sua carta desabafando a saudade do amigo Renato Russo,e de como "as coisas continuam coisando por aqui", é triste e ao mesmo tempo hilário, o Brasil decadente em que vivemos.
Pão e circo, mas o que seria de nós sem o poeta?

Rub Weiss em 05/09/2010

Aquele olhar

Olhares impossíveis. Uma despedida querendo ficar. Lindo, como tudo o que o autor escreve. Amei!
Kelly Santoro em 04/09/2010

De Profundis

De profundis é o que você , nobre poeta escreve.
Você fala de alma para alma. E a canção é simplesmente um deleite para os ouvidos e suas palavras para o coração.
Num site tão maravilhoso, uma única crítica:
conheço sua obra tão intensa e promissora.
E encontro poucas poesias suas.

benjamin bonhoeffer em 04/09/2010

HÜZÜN (Melancolia)

Minha poetiza preferida
Regina e as palavras...

Meu universo se encanta com a poesia em relevo,
explícita nos versos que escreve, delineiam, sublimam o pensar e resgatam nossos sentidos, e quando digo nossos, estou falando de nós,
pobres mortais diante da poesia.
Quão pálida e desvalida seria nossa vida se não houvesse o poeta, se não houvesse você!
Regina, o mundo ainda é melhor porque você não é virtual, você escreve e existe.

benjamin bonhoeffer em 04/09/2010

Aquele olhar

Alberto, você é MUUUUUUUUUUUUIIIIIIIITO bom! Eu adoro o que você escreve!
Urda Alice Klueger

urda alice klueger em 03/09/2010

Aquele olhar

Mais uma vez releio Alberto Cohen. Mais uma vez me enterneço com sua forma de escrever e palavras dentro de um texto que não é uma simples crônica. Seria diminuí-la, intitulando-a simplesmente assim. É uma poesia pura, doída e maravilhosa, que fotografa um último instante entre dois seres que se amavam e, neste relato, nos fala, por meio de um olhar, algo que nos intriga, mas que é lindo e ficará para sempre na mente do apaixonado.
Parabéns.

Anizia da Graça em 03/09/2010

Aquele olhar

Uma das mais belas crônicas, que nos toca profundamente a sensibilidade, retratando a despedida entre dois amantes, magoados, dizendo coisas caladas por tanto tempo por meio de olhares e gestos contrastantes. O que, realmente, queria dizer aquele olhar? A dúvida ficou, tanto para o amante, quanto para seus leitores, encantados com o que leram.
tania melo em 03/09/2010

Aquele olhar

É o tipo de texto em que a gente desenha os personagens na mente, com roupas, cor de cabelos, olhos e todos os detalhes. Gostoso de ser ler, como o começo de um interessante livro romântico. Muito bom!

Cláudia L. Moraes - ASES - Associação de Escritores de Bragança Paulista - SP.

Cláudia L. Moraes em 03/09/2010

Aquele olhar

Imperdivel este texto do poeta.
Prosa poetica, a narrar o encontro que nunca foi.
Ha na vida de cada um de nos o encontro que nunca se deu, o olhar que nunca entendemos, a esfinge de um trocar de sorrisos, o enigma que nunca foi decifrado.
Dos textos de Alberto Cohen, este e um dos que mais me diz.

Maria Armanda Ferreira - Londres em 03/09/2010

HÜZÜN (Melancolia)

Sua alma fala para minha alma e tambem para todo meu povo.
Essa melancolia tão bem descrita, pode ser entendida pelos dois mil anos de dispersão do solo dos meus antepassados.
O povo das lendarias terras de Ofir tem a melancolia, a alegria e a tenacidade na vida.
Pois do levante ao poente, embora dancemos Hava Naguila, a melancolia é tão densa que se torna palpável. Obrigada poeta por tamanha sensibilidade, que me trouxe uma doce e nostalgica
hüzün.

Isaac Goldstein em 02/09/2010

De Profundis

Shalom Regina
Essa poesia é tão bela, que minha amiga copiou e mandou para mim.
Nem preciso dizer-lhe que a pedi em casamento, rs
Ambos, eu e ela, não sabemos escrever poesia, mas sabemos interpretar e sentir o quanto o belo toca a alma e o coração.
E voce, coincidentemente é nossa poeta predileta.
Mazal tov

Isaac Goldstein em 02/09/2010

Pétalas

lindo noto 100000 dez bilhao eu so uma crianca de dez anos eu achei esse poena interesante e a musica e muito cobinando parabens.
MARIA ELIENE em 25/08/2010

O sorriso da Bia é feito música e poesia

LINDA, MARAVILHOSA, BELA, ELEGANTE, BONITA, LINDA DE NOVO, FOFA, E MAIS UM MONTE DE ADJETIVOS TODOS LINDOS PARA VOCÊ, TE AMO! TE AMO! TE AMO! TE AMO! TITIO CORUJA.
EDIR CARVALHO BEZERRA em 24/08/2010

Casas velhas

A NOSSA CASA VELHA, NOSSA MATERNIDADE E A VELHA SAPUTILHEIRA MORREU COMO QUE DEBRUÇADA AO CHÃO CHORANDO DE SAUDADES DA GENTE, MAIS OLHA JÁ! DIRIAMOS NAQUELES TEMPOS.
EDIR CARVALHO BEZERRA em 20/08/2010

Pétalas

Tenho me perguntado onde andam os versos no meio de tão conturbada modernidade. A resposta eu encontro nos teus poemas, amado amigo. Belíssimas pétalas, belíssimos versos.
Rita Venâncio em 19/08/2010

Palavras que me perseguem por serem poéticas

A linguagem poética das flores que emergem no asfalto dos jardins mal cuidados,mas a flor ali também brota expondo sua pompa,sua galhardia!
Que poema mais florido,portanto lindo!

izildinha renzo em 10/08/2010

Soneto dos tempos modernos

Maravilhoso... e em pensar que encontrei este site desapercebidamente. Raramente é possível ler algo deste nível, estou deslumbrada com seu poema. Parabéns!
Samantha de Sousa em 09/08/2010

Pétalas

Belissimo, ame,parabénsi
fatima em 06/08/2010

Teatro da vida

Minha querida Efigênia simpre, quando eu conseguir algo de seu que eu li e dejascon boas recordações.
Da Argentina um beijo gramnde
Hector R Pomodoro

Hector Reinaldo Pomodoro em 05/08/2010

MEU TEMPO MENINO

Edmir, o ver-o-poema é cada vez mais um olho esperto e preciso na descobertas de palavras e imagens carregados de sentido e poesia.
este video, tao bem filmado, tao bem contado, tao atento a detalhes sensiveis e vivos, em especial, deu vontade de comentar. parabéns a você, ao Emanoel Loureiro e à equipe do filme.
Regina

Reginha M. A. Machado em 04/08/2010
Edição:
Rodovia Arthur Bernardes - Passagem São Pedro Nº 06 - Telégrafo - Belém - PA Cep. 66.113.455
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