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Canções para saber florir

Gilia GerlinG

Eu sou Gilia Gerling. Nasci no Rio de Janeiro, em um hospital bem próximo ao Cristo Redentor. Um privilégio e tanto, ter aquela maravilha como referência ocular. Mas o maior privilégio foi ter nascido de minha mãe, Ivonne Vieira Gerling e ter nascido pelas mãos de meu avô, o médico Galdino Nunes Vieira. Essa três inspirações me acompanham até hoje, desde o dia 21 de maio de 1952.

Não sou profissional das letras. Gostaria de ser. O que escrevo é o que sinto e compartilho. Não defino nem rotulo mas me encanta, colocar em linhas ordenadas e fazer versos do meu dia-a-dia.

Profissionalmente atuo em duas áreas: música e saúde mental. Sou terapeuta e me especializei no tratamento e prevenção das dependências químicas, seguindo a linha da terapia cognitiva.

Como musicista tenho uma jornada e tanto. Grande parte de minha família é de músicos e, aos três anos, comecei a estudar piano com minha mãe, a inesquecível primeira professora. Por muitos anos me dediquei ao piano, violoncelo e contrabaixo acústico. Tocava, dava aulas e participava de conjuntos e orquestras. Em 1978, comecei a dar 'sinais' de gostar de reger. Fui me aprofundando e em 1984 optei pela regência.

Reger, para mim, é um grande fascínio. Lida-se com o poder e com a completa exposição. Uma contradição, mas que obriga o exercício diário do estar disponível para compartilhar o aprendido e aprender com o próprio ofício. Lidar com pessoas é maravilhoso. Reger instrumentos e seus tocadores é uma dádiva! Rejo coral e orquestra e exercitar a flexibilidade é requisito básico, mas maior ainda é o constante cuidado com a amplidão do poder.

Ainda como musicista, sou profissional da voz e me especializei também em técnica vocal. Este é mais um lado profissional que me fascina. Trabalhar com a voz do outro requer muita responsabilidade; afinal, 'tirar' a voz e lapidá-la é tarefa delicada pois estamos trabalhando a parte fisiológica e psicológica do aluno.

Na literatura tenho um ídolo: Fernando Pessoa. Geminiano como eu, Pessoa diz por mim tudo que preciso dizer. É dele o 'alerta' que me faz lembrar a necessidade de estar em dia comigo mesma: 'Que triste não saber florir'.

Gaivotas

LEGADO DE AMOR

Leva minha alma contigo e faz que ela dance em ti

Leva minha alma contigo e faz que ela te respire por inteiro

Leva minha alma contigo e faz que ela vibre a tua

 

E se eu precisar morrer,

Não chore por minha alma.

Ela estará eternizada em cada pedaço da tua.

E à noite, quando o vento soprar,

será este o meu canto estrelado para te fazer adormecer.

 

E sonha!

Sonha, meu infinito amor.

Sonha com minha alma leve e tranqüila.

Minha alma serena e descansada com a memória plena

de teu aconchego de sempre.

 

E ao sol,

reverencia teu mais belo sorriso.

Será este,

o  meu jeito eterno de te aquecer nas horas frias do cotidiano.

 

 

 

INVENTAR HORIZONTES

 

Inventar horizontes

Única maneira de suportar a possível perda de rumo nestes

mares aflitos que nos ameaçam todas as manhãs

 

Inventar gaivotas

Única maneira de suportar estas nossas lágrimas

pela dor maior de um céu não azul

 

Inventar ondas

Única maneira de suportar a calmaria que a lucidez nos obriga

 

Inventar sol e lua

Única maneira de suportar estes tempos iguais

que nos enlouquecem com suas diferenças

 

Inventar velas

Única maneira de suportar o espanto dos nossos olhos

refletidos nas águas que acolhem estes restos de naufrágio

 

Inventar...

Inventar gaivotas, ondas,

velas, sóis e luas.

E sempre, inventar  horizontes

E, caso o horizonte nos falhe,

tentar a sobrevivência

e, se ela se negar,

inventar um cais em cada lágrima.

 

 

VIA-SATÉLITE

 

Os ventos agonizam, nas janelas gradeadas

Os medos se instalam, nas fechaduras

E as janelas choram, sem companhia

 

O sol aquece, por medo das geleiras

Nossos olhos congelam, porque ninguém os aquece

As águas secam, de tanto chorar

E o nosso pranto deságua no nada

 

Urge reinventar o mundo

Dar cores aos momentos vazios

E preencher, com sonhos, as faltas de respostas

***

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Foto de Gilia GerlinGEu sou Gilia GerlinG. Nasci no Rio de Janeiro, em um hospital próximo ao Cristo Redentor. Um privilégio e tanto, ter aq...

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Comentários recentes

Alberto Cohen - porque poetas não têm explicação...

Sobre Alberto Cohen, achei muito bonito tudo que descobri nas poesias.
Aproveito para deixar uma trova.
Ao trilhar nossos caminhos
Vemos crianças que choram
Se a elas damos carinho
Seus sorrisos se afloram.

Na minha ultima postagem em 15/07/010, Escrevi algo que veio da minha emoção de momento.
Percebi logo a seguir, que havia escrito uma palavra incorreta dentro da frase.
(Algo que nos suplante) Desculpem-me.
Rio preto MG

Maria Helena Alves Lamanna em 26/07/2010

Pétalas

Amo o que escreves, colocas alma e paixão.
NILDE em 26/07/2010

Ruy Barata: aglutinador dispersivo?

Jorginho, caro, seus comentários elegantes, poéticos (tu, poeta também) 1 Muita inspiração pra ti, caro.
me fazem refletir. E o diálogo leva à reflexão. vivas do velho Paulo Nunes

PAULO nUNES em 24/07/2010

Ruy Barata: aglutinador dispersivo?

Esse é um texto para se refletir, claro, e muito mais sobre de quem ele trata: Ruy Barata. Os caminhos há relexão, muitos, estão nele, do Modernismo, no Pará, e suas rupturas ou reinvenção às formas fixas, outras formas; sua possível dispersão? ou um aglutinador mesmo que é o que mais acalanto; o poeta que foi, o letrista, ou letrista-poeta, enfim, essa figura que sempre deverá suscitar polêmica, porque múltiplo, sem receio, indo, ou remando, meu mano! Ruy, para mim, é semelhante ao Vinícius de Moraes, este foi um poeta de livro, erudito, e aliás como Ruy, publicou dois livros antes de enveredar para a MPB; Vinícius foi quase que execrado por esses intectuais, pelo fato de ter traído a Poesia, e tornar-se letrista, Ruy, por aqui, também; a qualidade da letra da MPB, com o aparecimento do Vinícius, teve maior relevância e qualidade, na PPP, com Ruy, também; Vinícius é um dos poetas brasileirosmais traduzidos, ouvidos, lidos, estudados, e Ruy não, a dferençaentre eles é que um é do Rio de Janeiro e outro de Santa Maria de Belém do Grão Pará. Desejaria que o Ruy fosse mais estudado e indicado a teses de metrado, doutorado, tcc, enfim, pois só assim nossa literatura pode ser conhecida pelo menos por nós, e quiça essa postura se estenda à letra de música, que foi o que esses dois poetas brasileiros, Vinícius e Ruy, amavam.
jorge andrade em 22/07/2010

Dança

Olá Nidia

Bom vê-la por aqui e "dançar" na sua poesia.

Um abraço
edimo ginot

Edimo Ginot em 22/07/2010

Pétalas

Por algum momento ouvi a voz da Simone Almeida a interpretar musicalmente Pétala do Ubirajara Sá. Singelo, profundo e refexivo. Ave, Ubirajara!
Marcos Afonso Dutra em 17/07/2010

OCASO

Eunice Arruda é uma das melhores poetas brasileiras. Seus poemas são sensíveis, com metáforas delicadas e potentes. Gosto da maneira como consegue sintetizar o poema sem deixá-lo superficial: o efeito, ao contrário disso, é de força poética.
Ariane Alves dos Santos em 17/07/2010

Teatro da vida

Mi querida amiga Efigénia, cuando puedo leo tus poesías amiga, ya las que guardo estan gastadas de tanto leerlas.
Un bes desde Argentina.
Héctor Reinaldo Pomodoro

Héctor Reinaldo Pomodoro em 17/07/2010

Dança

Sem comentário. isso e sublime, maravilhoso e estasiante
Osvaldo gaia em 17/07/2010

"ALÉM DOS MUROS" com Pedrinho Cavalléro

Fico feliz por este fanzine eletrônico, com uma qualidade exemplar para outros. São dessas niciativas que a cultura, a arte de Belém é mostrada edialogada com outras de outros centros, porque é assim que se faz o conhecimento, neste embate. Parabéns.
jorge andrade em 17/07/2010

Teatro da vida

Mi querida amiga pasan los años pero siempre te recuerdo, es una pena no poder escribir Portugués pero:- puedo leer todas las poesías.
Un beso grande y Dios te bendiga

Héctor Reinaldo Pomodoro em 15/07/2010

Alberto Cohen - porque poetas não têm explicação...

Os pássaros nos direcionam ...
Com voos altos... Ou rasantes...
Neles sentimos os cantos
Constantes...Ou inconstantes...
São subidas e descidas
Que percorremos em nossas vidas
Na tentativa de ver
Algo que nos suplante.

Maria Lamanna Rio Preto MG

Maria Helena Alves Lamanna em 15/07/2010

Alberto Cohen - porque poetas não têm explicação...

Se não existe uma explicação para o poeta... Carrego dentro de mim, pontos de interrogação????
Quem é este ser que vive dentro de mim?
Que às vezes me angustia
As vezes me dá alegria
Nem eu mesma entendo !
Quem poderá entender?
Pergunto não ouço respostas
E eu mesma viro as costas
Para este ser que é o meu ser
De um lado a realidade
Do outro a utopia
Quando tudo se mistura
Torna-se uma agonia
Não sei se vivo uma ilusão
Ou uma grande magia
Como não ouço respostas
Prefiro pensar que sou
Maria...Somente Maria!

Maria Helena Alves Lamanna em 13/07/2010

Alberto Cohen - porque poetas não têm explicação...

Boa Noite.Gostei da forma como definiu que o poeta não tem explicação.A partir do ano de 2002, escrevi o meu primeiro poema e confesso ter procurado por muito tempo uma explicação para o que aconteceu comigo.Com o meu primeiro poema, conquistei dois títulos em concursos.
Não tenho um grau de escolaridade superior, e nunca tive muitos livros para ler. Nasci e vivi em um pequeno povoado durante vinte e seis anos da minha vida.Hoje, já conquistei mais de doze títulos em concursos.Resolvi comentar algo, por ter uma amiga que se chama Carla Cohen. Veio do Rio de Janeiro, e mora na cidade de Valença, cidade visinha a minha. Vou comentar com ela sobre Alberto Cohen. Construimos no povoado de São Pedro do Taguá, uma pequena Biblioteca em regime de mutirão e contando com a solidariedade de amigos e Carla tem me ajudado bastante. Acredito que a poesia tenha vindo para mim como uma missão. Hoje incentivo as crianças para um mundo mais cultural e concreto.
Não quero ver o nome das nossas crianças como futuros predadores dos grandes centros.
Um grande abraço. Maria Lamanna Rio Preto MG

Maria Helena Alves Lamanna em 12/07/2010

Dança

Senti a profunda singularidade da beleza deste poema. Não tem como não apaixonar-se pela dança.
Marcos Afonso Dutra em 12/07/2010

POVERA - vídeo poema

Marcante, reflexivo, irreverente e doce, alguns dos adjetivos que definem essa poesia lapidada a ferro, fogo e flores.
Tua subjetividade abre um leque vasto em mil interpretações, enfim, aí está o belo.
Forte e destemido, sem medo de marcar presença singular na arte.
Aqui óh,de joelhos!
Simplesmente intrigante e.........bela.

izildinha renzo em 10/07/2010

Prematuridade

Como sempre, só tenho elogio a seus poemas: sonoros, moderníssimos, enigmáticos. Parabéns!
Por que n concorre a concursos?

Isabel Dias Neves - Belinha em 06/07/2010

Soneto dos tempos modernos

Belos e profundos textos. Fazem a gente pensar e se emocionar. Os autores estão de parabéns. Um abraço a todos.
Belinha

Isabel Dias Neves - Belinha em 06/07/2010

Dança

Linda, suave envolvente, a vida podia ser assim leve , suave intrigante
Maria do Rosário Ferreira Ghidetti em 05/07/2010

Dança

Olá, Nydia, boa tarde de segunda-feira pra você, lindíssima poeta!
Dancei consigo a sua música, senti consigo as suas dores, seus amores e me elevei nos ares, com as asas que a Poesia nos dá.
Linda, leve, terna e ao mesmo tempo profundo o seu poema. Parabéns, um grande beijo!


DARCI BORGES em 05/07/2010
Edição:
Rodovia Arthur Bernardes - Passagem São Pedro Nº 06 - Telégrafo - Belém - PA Cep. 66.113.455
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