Destaque


Ver-O-Poema Vídeo


contatore visite website counter
Total de acessos hoje: 20
As mais acessadas no mês:
  1.  POEMA PARA AS PERNAS - Lílian Maial (28)
  2.  Desmemória - Rosa Pena (25)
  3.  Caetano Veloso: um sujeito alfabetizado, deselegante e preconceituoso - Antônio Barreto (12)
  4.  À janela com os olhos de Mario Quintana - Edmir Carvalho Bezerra (11)
  5.  Lamento junto a Deus pelo Haiti - LEONARDO BOFF (9)
  6.  Conversa à lareira - Eugênio de Sá (7)
  7.  Depois das queimas - Antonio Rezende (7)
  8.  A moça que passa - Alberto Cohen (6)
  9.  Café e Artemísia - Carmen Rocha (5)
  10.  Teatro da vida - Efigênia Coutinho (5)
  11.  Fragmentos de poemas de um Livro leve que virá com águas e anoitecimentos - Edmir Carvalho Bezerra (5)
  12.  Rastro - Diane Mazzoni (5)
  13.  Um novo mundo é possível - Maria Cleide Pereira (4)
  14.  DESERTOS - Lílian Maial (4)
  15.  Me dá um abraço?! - Edmir Carvalho Bezerra (4)
  16.  Amor e saudade - Edimo Ginot (4)
  17.  Todas as línguas - Carlos Correia Santos (3)
  18.  Liberdade, liberdade - Ana Guimarães (3)
  19.  Fodaleza.com, NOVÍSSIMO LIVRO DE CLÁUDIO PORTELLA - Cláudio Portella (2)
  20.  ÁLVARO ALVES DE FARIA: UM POETA APAIXONADO PELA VIDA QUE SABE QUE A POESIA É SOLIDÃO E TROCA, PASSATEMPO E SACRAMENTO. - Ver-o-Poema (2)

De que me valeira saber dançar?

Enladrillado

De que me valeria saber dançar?

 

 

Eu também não sei dançar Manuel Bandeira
E já bebi tanta tristeza que viciei nela
Mais meu heterônimo é alegre
E dança, e baila e rodopia na minha imaginação
E se embriaga de risos e bebe tanta alegria
E logo em seguida desaparece
Deixando-me com toda a ressaca da vida
E eu amanheço meio Macunaíma, meio vilão
E descubro-me ardendo em febre
Num mocambo assolado pela fome de palavras
Que nem Mario de Andrade me sacia
E corro no descampado da minha alma
Beirando o abismo do silêncio
Onde enterrou-se em mim toda a poesia
Quando vi Drummond sentado num banco
No meio do caminho
Fingindo que não me ouvia.
Por isso lhe pergunto
De que me valeria saber dançar ?
Se a lira dos meus vinte anos
Já não tem nenhuma harmonia
E se tenho apenas as lembranças de morrer
As mesmas que Álvares de Azevedo tinha
Este, foi poeta, sonhou e amou na vida.
Eu fui poeta dos pesadelos, dos desamores
E o tempo deixou em mim só despedida
Por isso é que a solidão faz do meu coração guarida.
E quando meu heterônimo retorna
E me transformo em poeta outra vez
Ai então o mundo faz sentido
Porque eu me embriago de ilusão

 

“Bebendo a morte”

Ele tinha ombros largos
Andar pesado, faces rachadas
Mãos trêmulas e pernas inchadas
Conduzia um cajado velho, sujo
Pesado e tosco
Perambulava pelas ruas nuas de sol
E repletas de lua
Nas sarjetas das manhãs sujas, fedidas e frias
Ele despertava para se embriagar de desilusão
Nos copos que a esmola lhe pagava
E era assim sua rotina
Até que um dia
Um automóvel guiado em desespero
Por um fulano
Colega de vicio seu
Bebeu-lhe a vida
Fugiu sem pagar a conta
E nos jornais do dia seguinte
Uma foto em preto e branco
Mostrava um ser caído na sarjeta
Que bebeu a morte em tragos diários

 

 

Há uma áfrica em mim

 

Há um Saara em mim
Ele vive e se manifesta
Na festa dos ventos que me levam
Nos meus pensamentos
Sou a fartura do pó que voa no vento
E engole as gotas no chão
Beduíno das cáfilas rondando a imensidão

Há tantas savanas em mim
Guardando o selvagem que sou
O mesmo que me devora a carne nua
No império dos sentidos
Onde impera a mãe natureza
Sobre a destreza
Dos ávidos e vorazes instintos

Há tanta fome em mim
Nas sombras que perambulam
Mastigando migalhas
Que estalam nos dentes rarefeitos
E são devoradas pela fome animal
Deixando silhuetas de olhos arregalados
Estendidos no chão
Vestes de osso e pele abandonados

Mais, há tanta vida em mim
Apesar do choro das minhas mães
E dos vírus que andam imunes
Desafiando-me com a cumplicidade do mundo
Que parece temer ser contaminado
Ao me estender a mão.

Não, não temas mundo
Meu sorriso é fecundo
E um dia, ainda vamos bailar
Sob os sons dos tambores da África

Um dia, a cor escura da minha mão
Poderá a te ser estendida
Quem sabe, para evitar que se afogues
No oceano da indiferença
E assim possamos juntos ter sobrevida

______________________________

Varley Farias Rodrigues

Varley Farias Rodrigues Nasceu em Crateús, interior do Ceará, mudou-se para Fortaleza muito novo com os pais, trabalha a vinte e oito anos com programação de computadores. A relação com a literatura é muito antiga, pois desde muito jovem é viciado em livros e em escrever. Tem poesias publicadas nos volumes 28, 30, 31, 32, 33, 34, 35, 37 da Antologia de Poetas Brasileiros Contemporâneos, no livro Poemas Dispersos (Coleção Literarura Clandestina), e no livro Panorama Literário Brasileiro 2007/2008 (este será lançado em breve), todos da Câmara Brasileira de Jovens Escritores. Em breve estará publicando um livro de contos.

 

voltar | ver comentários (2) | envie para um amigo

Comente esta publicação

Nome:
Email:
Site:
Comentário:
Confirme o código de autenticação ao lado:
 
Comentários recentes

POEMA PARA AS PERNAS

"Sonho um sonho de pernas para o ar" e Lílian, com o brilhantismo de sempre, mostra que de pernas para o ar ela não tem nada!
Beijos, querida poeta.
Jorge

Jorge Cortás Sader Filho em 08/02/2010

Conversa à lareira

Belíssimo Eugênio.
Um beijo/rosa

rosa em 08/02/2010

POEMA PARA AS PERNAS

belas pernas, lílian.
Aroeira em 08/02/2010

POEMA PARA AS PERNAS

VOCÊ É FODA!
Hélio Pequeno em 08/02/2010

POEMA PARA AS PERNAS

Ah, Lílian Maial, poetisa e mulher, médica e mestre! Por que não tuas pernas, se marcam passo, caminham, correm e, não raro, voam! Diz bem quando se sente nas alturas das letras a mirar as pernas nas ruas, na vida rotina de sempre ontens, sempre amanhãs...
Preserva as pernas, Mulher de Poesia! Este planalto central brasileiro anseia por elas e reza-lhe versos de andarilhar também, como quem não tem rumo (mas sabe de cor o caminho das estrelas).

Luiz de Aquino em 07/02/2010

POEMA PARA AS PERNAS

Hahaha, eu já comentei esse texto no Recanto das Letras, então aqui só vou resumir. O texto é genial, e uma ótima pérola para este site, que já contava com umuitas belezas.
Daniel C. Rodrigues em 07/02/2010

POEMA PARA AS PERNAS

é preciso saborea-lo mais de uma vez, gostei da imagens, dos enjambements, gostei menos da pontuaçao que me escraviza na leitura de um poema que se quer livre, e que por tanto poderia ter as vezes, em alguns versos outra disposiçao dos mesmos. Estou pensado em analisa-lo junto na minhas alunas de master aqui na Freança. pour quoi pa? E ate muda-lo de lingua no meu seminario trilingue. parabens Lilian . Sua leitora Roselis
Sera que voce podia envioa-me este OD em anexo ao meu mail para facilitar ? Agradeço de antemao

rOSELIS BATISTAR em 07/02/2010

POEMA PARA AS PERNAS

Ler os poemas da Lílian é, sempre, mergulhar num exercício de beleza pensamentos, rimas e versos. Parabenizo o site Ver o Poema pela publicação do POEMA PARA AS PERNAS, ao tempo em que agradeço a oportunidade da sua leitura.
Lêda Yara em 07/02/2010

POEMA PARA AS PERNAS

Poema de pernas para o ar que pára o movimento para curtirmos o momento da leitura. Muito bom.
Fraterno abraço.
Fabio Daflon

Fabio Daflon em 07/02/2010

POEMA PARA AS PERNAS

Dra Lilian Maial , grande escritora , sensível poeta!
Parabéns pela lucidez inspirada nesses versos brancos e purificados pela sua lavra inconfundível !
Abraços fraternos
Vera Mussi

vERA em 07/02/2010

Me dá um abraço?!

lindo!
Rosa Pena em 07/02/2010

Caetano Veloso: um sujeito alfabetizado, deselegante e preconceituoso

Lindoooo! O cordelista só deveria ter cuidado, pois caiu na mesma situação do nosso inteligentíssimo poeta Caetano Veloso. Não esqueça, querido amigo, de que Caetano foi, é, e sempre será um dos maiores poetas do mundo. Tem um pasado de luta contra todos os preconceitos. A reprovação é válida, a ofensa não.
Ubirajara Sá em 30/01/2010

Depois das queimas

Este poema me fez um bem danado. Sim. O amor - planta em solo frágil - rebrotando sempre, como a vida da vegetação, mesmo depois das queimadas.
Amália em 30/01/2010

Lamento junto a Deus pelo Haiti

Saudações! Realmente, esta dor não se explica, até mesmo porque não sabemos o dia de nossa morte, apenas temos que estar preparados. É difícil de entender alguns caminhos de Deus, aqueles que estão vivos vão ter que entender de alguma forma esses caminhos, eu não sei como isso vai acontecer, uma das explicações estão no texto acima.
Marcelo Torcato em 28/01/2010

HAITI, ANGRA, ILHA GRANDE E MEU CORAÇÃO

Lílian,
tua crônica fala por todos os seres que possuem em seu íntimo a empatia e o sentimento de solidadedade.
Beijo suas valiosas inspirações, de ontem, de hoje, de sempre.
Luiz Celso de Matos

Luiz Celso de Matos em 28/01/2010

DESERTOS

Gostei muito do primeiro verso deste poema.
Realmente impressiona.

Adalberto Santos em 28/01/2010

Caetano Veloso: um sujeito alfabetizado, deselegante e preconceituoso

É lamentável a inocência e o entusiamo do Cidadão Antonio Barreto.
Copnhece da História do Mundo, do Brasil... Se faz História com o tempo. e o próprio Tempo há de mostrar que a visão sobre esse (des)governo do então Presidente/Ditador Lula da Silva vai entrar para uma Página Negra da nossa história brasileira.
Errar é humano! Permanecer no erro é burrice!!!

Maria em 28/01/2010

Lembrança do Rio

Especialmente lindo este escrever da Raquel.
Célio Pedreira em 23/01/2010
Edição:
RODOVIA ARTHUR BERNARDES - PASSAGEM SÃO PEDRO Nº 06 - TELÉGRAFO - BELÉM - PA CEP. 66.113.455
Hospedagem:
Design: