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  3.  Caetano Veloso: um sujeito alfabetizado, deselegante e preconceituoso - Antônio Barreto (12)
  4.  À janela com os olhos de Mario Quintana - Edmir Carvalho Bezerra (11)
  5.  Lamento junto a Deus pelo Haiti - LEONARDO BOFF (9)
  6.  Conversa à lareira - Eugênio de Sá (7)
  7.  Depois das queimas - Antonio Rezende (7)
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  10.  Teatro da vida - Efigênia Coutinho (5)
  11.  Fragmentos de poemas de um Livro leve que virá com águas e anoitecimentos - Edmir Carvalho Bezerra (5)
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  13.  Um novo mundo é possível - Maria Cleide Pereira (4)
  14.  DESERTOS - Lílian Maial (4)
  15.  Me dá um abraço?! - Edmir Carvalho Bezerra (4)
  16.  Amor e saudade - Edimo Ginot (4)
  17.  Todas as línguas - Carlos Correia Santos (3)
  18.  Liberdade, liberdade - Ana Guimarães (3)
  19.  Fodaleza.com, NOVÍSSIMO LIVRO DE CLÁUDIO PORTELLA - Cláudio Portella (2)
  20.  ÁLVARO ALVES DE FARIA: UM POETA APAIXONADO PELA VIDA QUE SABE QUE A POESIA É SOLIDÃO E TROCA, PASSATEMPO E SACRAMENTO. - Ver-o-Poema (2)

Sonho meu

Caneta e branco

Adivinhara sua presença, mas quando a vi não acreditei: estaria sonhando? Não me belisco, toco em seu pelo de leve, no temor de que o toque possa dissolvê-la, sua imagem, minha alucinação? Por um breve minuto cruzamos o limiar entre o mundo-como-tal e o mundo-como-idéia. De repente ela se afasta, busca espaço para se alongar, como um gato. Estica primeiro as patas dianteiras, depois as traseiras, empinando o rabo, o focinho quase beijando o chão. Parece bocejar. Caminha para longe, porém dentro da minha vista (e eu da dela, evidente, todo amor é recíproco). Lá repousa o corpo com graça, cabeça erguida, olhar altivo, a desprezar a continuação do carinho, independente alma felina: teria assim ressuscitado? Ou seria um caso de vida paralela?

Se ela não me assustava nem quando, repreendida, ameaçava me morder, não seria agora, não importa em que dimensão esteja. Seus olhos brilham na escuridão do quarto. A pequena poça junto à janela obriga-me a levantar para pegar um pano de chão real que enxugue o xixi imaginário, ralhando com ela, que foge, se escondendo. Lavo as mãos na esperança de que a porta do banheiro seja empurrada, a qualquer momento, como outrora fazia, pedindo desculpa, oferecendo companhia.

Volto ao silêncio da noite, ainda esbravejando, para encontrá-la na cama, enovelada nas cobertas. Enche-me de lambidas, que eu termine com a zanga. A comoção é simultânea à coragem do tira-teima: um toque no interruptor do abajur... e nada. Apago a luz decidido a dormir, a barrar essa obsessão que persiste e insiste, contudo logo a ouço divertindo-se sozinha com brinquedos de borracha, especialmente os que fazem barulho. De volta à ilusão. Melhor assim, de que serve o canteiro de rosas intacto, sem as suas investidas? A roupa estendida no varal, a salvo, secando? Comer sem ela ao lado, implorando migalhas? Sair (ou chegar) sem ganidos e latidos? E Justine, onde está, chorará por mim? Seu choro é tão justo e comovente quanto o de um homem? E se fosse um bicho inventado, feito apenas de papel e tinta, vocês se interessariam menos?

Sofro há um ano, desde que a levaram. Não é que o luto seja necessário: ele é compulsório. Não quero mais ser medicado, pra que? Suas aparições, oníricas ou em vigília, continuam. Chega de pintura, desenho, escultura! Dessas malditas colagens: quadrado ou triângulo, vermelho ou azul, tanto faz, pra fugir do negro círculo da dor! Prefiro o nada do retângulo branco da página vazia, como já disse mais de uma vez, ninguém me ouviu. Roubei bloco e caneta, e aqui estou. Precisava contar o que (não) se passa. Relatar por escrito, prazer solitário onde se prescinde do objeto amado: se ele não existe mais – pelo menos pra mim – a fé se impõe. Fé na ficção, para torná-la realidade. A verdade não é uma flor num canteiro, esperando ser colhida – ela é efeito de palavra.

Escrever é captar o que não existe. Uma outra modalidade de organização de sentido. Vontade criando possibilidade. Mágica, ilusionismo. Finjo a dor que deveras sinto. Um texto vive per se, e tem vida eterna. Aqui estou sem mim, sem ti, mas feliz, com esse fantasma. Puro instante. Sem passado (lembrança de presença), sem futuro (expectativa de ausência), só assim não dói. Se crio poemas, crônicas, contos posso recriar meu animal de estimação. Transfiro os cuidados que tinha com ele para os cuidados com as letras, um enlace substitutivo, onde salvo memórias da experiência. Minha cadela morta – ou distante, em mãos alheias, quase dá no mesmo – é como uma sombra que tento trazer de volta, torná-la apreensível. Chego na fronteira, chamo, e ela atende, vem. Um sonho louco, mas qual não é?

Ana Guimarães

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Foto de Ana GuimarãesParodiando um famoso texto que, ao contrário do que se pensa, não é de Borges, se pudesse viver novamente minha vida tra...

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Comentários recentes

POEMA PARA AS PERNAS

"Sonho um sonho de pernas para o ar" e Lílian, com o brilhantismo de sempre, mostra que de pernas para o ar ela não tem nada!
Beijos, querida poeta.
Jorge

Jorge Cortás Sader Filho em 08/02/2010

Conversa à lareira

Belíssimo Eugênio.
Um beijo/rosa

rosa em 08/02/2010

POEMA PARA AS PERNAS

belas pernas, lílian.
Aroeira em 08/02/2010

POEMA PARA AS PERNAS

VOCÊ É FODA!
Hélio Pequeno em 08/02/2010

POEMA PARA AS PERNAS

Ah, Lílian Maial, poetisa e mulher, médica e mestre! Por que não tuas pernas, se marcam passo, caminham, correm e, não raro, voam! Diz bem quando se sente nas alturas das letras a mirar as pernas nas ruas, na vida rotina de sempre ontens, sempre amanhãs...
Preserva as pernas, Mulher de Poesia! Este planalto central brasileiro anseia por elas e reza-lhe versos de andarilhar também, como quem não tem rumo (mas sabe de cor o caminho das estrelas).

Luiz de Aquino em 07/02/2010

POEMA PARA AS PERNAS

Hahaha, eu já comentei esse texto no Recanto das Letras, então aqui só vou resumir. O texto é genial, e uma ótima pérola para este site, que já contava com umuitas belezas.
Daniel C. Rodrigues em 07/02/2010

POEMA PARA AS PERNAS

é preciso saborea-lo mais de uma vez, gostei da imagens, dos enjambements, gostei menos da pontuaçao que me escraviza na leitura de um poema que se quer livre, e que por tanto poderia ter as vezes, em alguns versos outra disposiçao dos mesmos. Estou pensado em analisa-lo junto na minhas alunas de master aqui na Freança. pour quoi pa? E ate muda-lo de lingua no meu seminario trilingue. parabens Lilian . Sua leitora Roselis
Sera que voce podia envioa-me este OD em anexo ao meu mail para facilitar ? Agradeço de antemao

rOSELIS BATISTAR em 07/02/2010

POEMA PARA AS PERNAS

Ler os poemas da Lílian é, sempre, mergulhar num exercício de beleza pensamentos, rimas e versos. Parabenizo o site Ver o Poema pela publicação do POEMA PARA AS PERNAS, ao tempo em que agradeço a oportunidade da sua leitura.
Lêda Yara em 07/02/2010

POEMA PARA AS PERNAS

Poema de pernas para o ar que pára o movimento para curtirmos o momento da leitura. Muito bom.
Fraterno abraço.
Fabio Daflon

Fabio Daflon em 07/02/2010

POEMA PARA AS PERNAS

Dra Lilian Maial , grande escritora , sensível poeta!
Parabéns pela lucidez inspirada nesses versos brancos e purificados pela sua lavra inconfundível !
Abraços fraternos
Vera Mussi

vERA em 07/02/2010

Me dá um abraço?!

lindo!
Rosa Pena em 07/02/2010

Caetano Veloso: um sujeito alfabetizado, deselegante e preconceituoso

Lindoooo! O cordelista só deveria ter cuidado, pois caiu na mesma situação do nosso inteligentíssimo poeta Caetano Veloso. Não esqueça, querido amigo, de que Caetano foi, é, e sempre será um dos maiores poetas do mundo. Tem um pasado de luta contra todos os preconceitos. A reprovação é válida, a ofensa não.
Ubirajara Sá em 30/01/2010

Depois das queimas

Este poema me fez um bem danado. Sim. O amor - planta em solo frágil - rebrotando sempre, como a vida da vegetação, mesmo depois das queimadas.
Amália em 30/01/2010

Lamento junto a Deus pelo Haiti

Saudações! Realmente, esta dor não se explica, até mesmo porque não sabemos o dia de nossa morte, apenas temos que estar preparados. É difícil de entender alguns caminhos de Deus, aqueles que estão vivos vão ter que entender de alguma forma esses caminhos, eu não sei como isso vai acontecer, uma das explicações estão no texto acima.
Marcelo Torcato em 28/01/2010

HAITI, ANGRA, ILHA GRANDE E MEU CORAÇÃO

Lílian,
tua crônica fala por todos os seres que possuem em seu íntimo a empatia e o sentimento de solidadedade.
Beijo suas valiosas inspirações, de ontem, de hoje, de sempre.
Luiz Celso de Matos

Luiz Celso de Matos em 28/01/2010

DESERTOS

Gostei muito do primeiro verso deste poema.
Realmente impressiona.

Adalberto Santos em 28/01/2010

Caetano Veloso: um sujeito alfabetizado, deselegante e preconceituoso

É lamentável a inocência e o entusiamo do Cidadão Antonio Barreto.
Copnhece da História do Mundo, do Brasil... Se faz História com o tempo. e o próprio Tempo há de mostrar que a visão sobre esse (des)governo do então Presidente/Ditador Lula da Silva vai entrar para uma Página Negra da nossa história brasileira.
Errar é humano! Permanecer no erro é burrice!!!

Maria em 28/01/2010

Lembrança do Rio

Especialmente lindo este escrever da Raquel.
Célio Pedreira em 23/01/2010
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RODOVIA ARTHUR BERNARDES - PASSAGEM SÃO PEDRO Nº 06 - TELÉGRAFO - BELÉM - PA CEP. 66.113.455
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