Discutíamos em uma roda, com alguns amigos, sobre a literatura que vemos se desenvolver n Brasil de hoje. Era uma reunião do Canto da Leitura, e o assunto tendeu aos blogs literários e aos novos autores que recentemente foram alvos de análises, reportagens e críticas. Essa grande fornada, como alguns críticos chamam, de novos autores virtuais conseguiu despertar as editoras que publicaram trabalhos seus. Uma destas editora é a carioca 7 Letras, de pequeno porte, mas que sempre traz ao público uma literatura nova com novíssimos autores brasileiros, que se tornaram conhecidos e premiados, como o Leonardo Brasiliense, que acaba de ganhar o Jabuti 2007 para Melhor Livro Juvenil com Adeus contos de fadas, minicontos.
Agora lança uma nova coleção Rocinante , em formato diferente, mas com a mesma visão em divulgar o que há de melhor na literatura em prosa, publicada deste 1993, a coleção sempre acompanhou a nova produção literária brasileira. E agora lança O amor é uma coisa feia, do baiano Gustavo Rios e Violências, do paulista Igor Galante.
Em O Amor é uma coisa feia, Gustavo, traz em seu livro de estréia 32 contos, que nos fala do amor amargo, da desilusão, do cinismo em negar o amor romântico, do amor como coisa disforme, que cresce e arrebata, mas desmistificado caí aflito em choro e tristeza.
Em contos felinos e outros tantos melancólicos, o autor caminha por trilhas das mais diversas, compartilhando com o leitor momentos de "amor desonesto", ou de pura desilusão, como em "Todo poeta é um perdedor", mas escreve de maneira consciente sua idéia de amor. Gustavo o trata com humor e ceticismo, não há rosas e nem espinhos, mas sombras sofridas e grotescas do amor romântico. Seria o amor coisa de literatos e adolescentes? Seria algo idiota? São perguntas que podemos fazer ao ler esse pequeno livro de leitura debochada e se pensarmos bem, é bem real.
Gustavo Rios, nascido em 1974, e mora em Salvador, escreve regularmente nos blogs http://www.cozinhadocao.blogspot.com e http://www.feioamor.zip.net .
Já o também livro de contos, Violências , do jornalista Igor Galante, que recentemente foi alvo de recomendação de um dos grandes escritores de nossa literatura, Moacyr Scliar, é bem mais curto e com outro âmbito, a violência, em seis contos, alguns esboços de um romance, que o autor coloca como uma preparação futura, ou como ele mesmo analisa "Ainda é o momento de conhecer, experimentar, aprender com a linguagem, testar narrativas, no tiro curto do conto, essa forma literária que eu não pretendo abandonar tão cedo".
Seu livro, de poucas mais de 60 páginas, traz histórias que denotam o binômio ternura/crueldade de uma forma instigante, mas terna. Fazendo arte literária, bem diferente da linguagem jornalística que usa normalmente. Mistério a la Poe, decadência, morte, brutalidade são ingredientes que Igor serve em uma linguagem hábil e medonhamente esmerada no ponto central do brutalismo, uma das tendências da literatura contemporânea.
o apocalipse é o próprio mundo
Está nas pessoas, está em tudo
Igor Galante nasceu em 1979, mora em São José do rio Preto, onde é repórter do jornal Diário da Região.
Dois livros que mostram a liberdade e a juventude desses novso autores, em mais um passo da Rocinante.
Cardorno Teles