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A luz não se apagou dentro do livro

Nuvens

Saiu o garimpeiro em busca de diamantes de papel
percorreu milhas de terras, sombras e mares
o ouro
o diamante
para sua amada
para o cinzel
lapidação tocante intocável
depois a via láctea o acolheu
mirou constelações a gênese dos astros
invisíveis folheações minerais brilhavam
uma fileira de luas
abandonadas
desacordadas
gordas
magras
corcundas
feito bananas amarelas
um planeta errante mapeado
sofre mais a solidão - tem sede esse planeta -
cabeleiras de cometas lumiavam
revoações coreografadas de meteoros
não se escondiam
eram de vidro as portas escarlates
a luz de um pássaro tempo
suspirava nas fronteiras do rio celeste
no chão de papiro
de celofane
de seda sensível
de manteiga
de sabão
melofones e guitarras embriagavam-se naquele fulgor liquido
lousas verdes com limos de palavras esquecidas
desencadernações metrificadas
epístolas de algodão
o rosto magnífico de um deus criança
brincava de sofrer de versos
um deus enlouqueceu de amar
foi depois o garimpeiro gari
ancinhando as folhagens
tanto juntou folhas e folhas
que teceu mais um planeta
redondo? Não!
Em forma de livro
uma brochura abarrotada de imagens
costuradas a mão pelo fio de Ariadne
a luz não se apagou dentro do livro
o encadernador de folhas viu aquilo
e guardou dentro do infinito
o planeta livro
planeta palavra
planeta letra
planeta música
planeta alma
estrelas pequenas e grandes
vieram
anjos, arcanjos e querubins
vieram
definitivamente Deus havia enlouquecido de amar
o cruzeiro do sul inclinou-se mais um pouco
as três Marias deram-se as mãos
um girassol ficou perplexo
paralisado
um sol dentro de um livro?!
soletrando
soletrado
solivre
solivro
os anéis de saturno
ah! esses anéis sem dedos
anéis em vão

 

Edmir Carvalho Bezerra

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Comentários recentes

Solidão cósmica*

Cara poeta Regina
Realmente, nada mudou por aqui.
Em sua carta desabafando a saudade do amigo Renato Russo,e de como "as coisas continuam coisando por aqui", é triste e ao mesmo tempo hilário, o Brasil decadente em que vivemos.
Pão e circo, mas o que seria de nós sem o poeta?

Rub Weiss em 05/09/2010

Aquele olhar

Olhares impossíveis. Uma despedida querendo ficar. Lindo, como tudo o que o autor escreve. Amei!
Kelly Santoro em 04/09/2010

De Profundis

De profundis é o que você , nobre poeta escreve.
Você fala de alma para alma. E a canção é simplesmente um deleite para os ouvidos e suas palavras para o coração.
Num site tão maravilhoso, uma única crítica:
conheço sua obra tão intensa e promissora.
E encontro poucas poesias suas.

benjamin bonhoeffer em 04/09/2010

HÜZÜN (Melancolia)

Minha poetiza preferida
Regina e as palavras...

Meu universo se encanta com a poesia em relevo,
explícita nos versos que escreve, delineiam, sublimam o pensar e resgatam nossos sentidos, e quando digo nossos, estou falando de nós,
pobres mortais diante da poesia.
Quão pálida e desvalida seria nossa vida se não houvesse o poeta, se não houvesse você!
Regina, o mundo ainda é melhor porque você não é virtual, você escreve e existe.

benjamin bonhoeffer em 04/09/2010

Aquele olhar

Alberto, você é MUUUUUUUUUUUUIIIIIIIITO bom! Eu adoro o que você escreve!
Urda Alice Klueger

urda alice klueger em 03/09/2010

Aquele olhar

Mais uma vez releio Alberto Cohen. Mais uma vez me enterneço com sua forma de escrever e palavras dentro de um texto que não é uma simples crônica. Seria diminuí-la, intitulando-a simplesmente assim. É uma poesia pura, doída e maravilhosa, que fotografa um último instante entre dois seres que se amavam e, neste relato, nos fala, por meio de um olhar, algo que nos intriga, mas que é lindo e ficará para sempre na mente do apaixonado.
Parabéns.

Anizia da Graça em 03/09/2010

Aquele olhar

Uma das mais belas crônicas, que nos toca profundamente a sensibilidade, retratando a despedida entre dois amantes, magoados, dizendo coisas caladas por tanto tempo por meio de olhares e gestos contrastantes. O que, realmente, queria dizer aquele olhar? A dúvida ficou, tanto para o amante, quanto para seus leitores, encantados com o que leram.
tania melo em 03/09/2010

Aquele olhar

É o tipo de texto em que a gente desenha os personagens na mente, com roupas, cor de cabelos, olhos e todos os detalhes. Gostoso de ser ler, como o começo de um interessante livro romântico. Muito bom!

Cláudia L. Moraes - ASES - Associação de Escritores de Bragança Paulista - SP.

Cláudia L. Moraes em 03/09/2010

Aquele olhar

Imperdivel este texto do poeta.
Prosa poetica, a narrar o encontro que nunca foi.
Ha na vida de cada um de nos o encontro que nunca se deu, o olhar que nunca entendemos, a esfinge de um trocar de sorrisos, o enigma que nunca foi decifrado.
Dos textos de Alberto Cohen, este e um dos que mais me diz.

Maria Armanda Ferreira - Londres em 03/09/2010

HÜZÜN (Melancolia)

Sua alma fala para minha alma e tambem para todo meu povo.
Essa melancolia tão bem descrita, pode ser entendida pelos dois mil anos de dispersão do solo dos meus antepassados.
O povo das lendarias terras de Ofir tem a melancolia, a alegria e a tenacidade na vida.
Pois do levante ao poente, embora dancemos Hava Naguila, a melancolia é tão densa que se torna palpável. Obrigada poeta por tamanha sensibilidade, que me trouxe uma doce e nostalgica
hüzün.

Isaac Goldstein em 02/09/2010

De Profundis

Shalom Regina
Essa poesia é tão bela, que minha amiga copiou e mandou para mim.
Nem preciso dizer-lhe que a pedi em casamento, rs
Ambos, eu e ela, não sabemos escrever poesia, mas sabemos interpretar e sentir o quanto o belo toca a alma e o coração.
E voce, coincidentemente é nossa poeta predileta.
Mazal tov

Isaac Goldstein em 02/09/2010

Pétalas

lindo noto 100000 dez bilhao eu so uma crianca de dez anos eu achei esse poena interesante e a musica e muito cobinando parabens.
MARIA ELIENE em 25/08/2010

O sorriso da Bia é feito música e poesia

LINDA, MARAVILHOSA, BELA, ELEGANTE, BONITA, LINDA DE NOVO, FOFA, E MAIS UM MONTE DE ADJETIVOS TODOS LINDOS PARA VOCÊ, TE AMO! TE AMO! TE AMO! TE AMO! TITIO CORUJA.
EDIR CARVALHO BEZERRA em 24/08/2010

Casas velhas

A NOSSA CASA VELHA, NOSSA MATERNIDADE E A VELHA SAPUTILHEIRA MORREU COMO QUE DEBRUÇADA AO CHÃO CHORANDO DE SAUDADES DA GENTE, MAIS OLHA JÁ! DIRIAMOS NAQUELES TEMPOS.
EDIR CARVALHO BEZERRA em 20/08/2010

Pétalas

Tenho me perguntado onde andam os versos no meio de tão conturbada modernidade. A resposta eu encontro nos teus poemas, amado amigo. Belíssimas pétalas, belíssimos versos.
Rita Venâncio em 19/08/2010

Palavras que me perseguem por serem poéticas

A linguagem poética das flores que emergem no asfalto dos jardins mal cuidados,mas a flor ali também brota expondo sua pompa,sua galhardia!
Que poema mais florido,portanto lindo!

izildinha renzo em 10/08/2010

Soneto dos tempos modernos

Maravilhoso... e em pensar que encontrei este site desapercebidamente. Raramente é possível ler algo deste nível, estou deslumbrada com seu poema. Parabéns!
Samantha de Sousa em 09/08/2010

Pétalas

Belissimo, ame,parabénsi
fatima em 06/08/2010

Teatro da vida

Minha querida Efigênia simpre, quando eu conseguir algo de seu que eu li e dejascon boas recordações.
Da Argentina um beijo gramnde
Hector R Pomodoro

Hector Reinaldo Pomodoro em 05/08/2010

MEU TEMPO MENINO

Edmir, o ver-o-poema é cada vez mais um olho esperto e preciso na descobertas de palavras e imagens carregados de sentido e poesia.
este video, tao bem filmado, tao bem contado, tao atento a detalhes sensiveis e vivos, em especial, deu vontade de comentar. parabéns a você, ao Emanoel Loureiro e à equipe do filme.
Regina

Reginha M. A. Machado em 04/08/2010
Edição:
Rodovia Arthur Bernardes - Passagem São Pedro Nº 06 - Telégrafo - Belém - PA Cep. 66.113.455
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